Sexta-feira, 15 de Setembro de 2006

Coelho de Sousa: A Ceia na Aldeia (II)

 

Olha o sino! Avé Maria...
Reza comigo: Deus louvado
P'lo trabalho deste dia
Por mais um dia passado...

Em casa  põem a mesa,
O pão de milho molinho
As couves e  a sobremesa,
Batata doce e toucinho...

Ai deste caldo, o sabor!
Eis a riqueza do pobre.
Cada gota é de suor
E com ele a mesa é nobre...

publicado por DSousa às 00:01
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Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006

Coelho de Sousa: A Ceia na Aldeia (I)

Um desfolhar de Saudade

1º Poema

Ceia na Aldeia

 

Gentes do campo em descanso
Couves ao lume para a ceia...
Como é belo, como é manso
O fim do dia na aldeia...

Boa tarde! olá amigo!
Como vai a ceifa este ano?
Vais contente. Há muito trigo...
E o trigo não tem engano.

Vens da sacha, já o sei...
Trazes a fronte suada...
Como tu também andei
Ao meu ombro com a enxada...

Os milheirais são promessa,
São verdes cor de esperança
Fica a saber: não te esqueça
Quem espera, sempre alcança!

publicado por DSousa às 00:01
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Segunda-feira, 11 de Setembro de 2006

Coelho de Sousa (textos não publicados): Um Desfolhar de Saudades

Voltemos ao caderno dos rascunhos do programa do Rádio Clube de Angra, dos anos 50, com o título genérico " A Vida é para ti".
Deste programa de rádio já aqui se transcreveram "A Volta À Ilha" e "Angra por ti".
Os textos que vão seguir-se tem o título geral de "Um Desfolhar de Saudades" e incluem três poemas:

  • A Ceia na Aldeia
  • A Viola e o S. João
  • As Modas de Antigamente

Como se pode confirmar pelo manuscrito, o genérico do programa foi o seguinte:

Um desfolhar de saudades
este programa de agora.
Saudades, tantas saudades
Saudades de hoje e d'outrora!

 

A vida é para ti

Programa em verso pelo Rev. Coelho de Sousa
que se encontra aos nossos microfones.

Hoje: Um desfolhar de Saudades em três poemas.


publicado por DSousa às 01:01
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Sábado, 9 de Setembro de 2006

Prefácio de Coelho de Sousa (II)

(...)  Estas pinceladas são de vinho de cheiro do Porto Martim ou dos Biscoitos.
Mais as socas cozidas e as favas escoadas.
E mais
a roda das saias de «fiampua»,
as calças de
tréz,
camisola de linho e barrete
de borla.
Que a viola era de arames entre charambas e sapateias.

Ora lendo e relendo estes contos bem medidos normais e vivos que Augusto Gomes começou a reproduzir de si e de todos nós pela alma do povo, há já
alguns anos, parece uma súmula mais ou menos habilidosa de reportagens ou casos anedóticos por onde se distila um caudal jocoso e fiel da maneira de ser do nosso povo agarrado que foi a tradições, agora diluídas na intromissão quáse asfixiante dos OCS,
emigrações e outras influencias que nos vão desviando do muito belo e útil, de dignificante, individualizante que nos singularizou.
Assim, as coroações, bezerradas e touradas, as matanças e os «reizes», as justiças da noite e as noites de S. João, as danças e os bandos, os bailes e os ranchinhos, as desfolhadas, «que saborosos beliscões», vindimas, casamentos, serões de cardar e fiar, mais as linhas tasquinhadas, mantas de retalhos e sobretudo as maravilhosas colchas de repaço firme e alegrote para bragal de burgueses e agasalho de pobres.



Nestes contos de Augusto Gomos sem pretensão de se pôr, calculo, na cimeira dos Florêncios e Marcelinos, dos Rosas e Sousa Nunes, Fredericos e Lourenços e tantos outros de nomes feitos e coladosados nas letras açorianas onde Nemésio se alargou do conto ao romance com geito e merecimento nacionais, este, punhado suave, quáse ingénuo de quadrinhos floridos e amorosos da nossa vida merece, sem lisonja nem desprimor, a graça desta edição que se aparelha com o que já temos no melhor do nosso património literário com nível de conto saboroso.

O que mais vale em qualquer livro, a maioria das vezes,não é o prefácio acomodado que importa.
Vale muito mais o postfácio que cada leitor assine com justiça como coroa de um trabalho que foi escrito por bem servir o povo.

  Um abraço amigo

                   Coelho de Sousa
publicado por DSousa às 13:52
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Prefácio de Coelho de Sousa (I)

A obra de contos de Augusto Gomes, Perdôe Pelo Amor de Deus, teve prefácio de Coelho de
Sousa.

É esse prefácio que, em duas entradas, se reproruz, aproveitando a circunstância de, eu próprio, estar a utilizar excertos de trechos de humor daquela obra, no blogue Epigrama:

                                    

                                   PINCELADAS VIVENCIAIS


Há bons poetas de palavra formal que, se a beleza escrita não lhe acode ritmada em qualquer cânone epocal, vingam-se na puríssima expressão literária do conto que, na linha do romance, é o mais apertado de texto, mas, em contrapartida, a mais profunda e subtil síntese vivencial.
Às vezes autêntica pincelada de génio.

 
                                                          * * *


Por isso dizem os entendidos nestas coisas difíceis da teoria literária que o contista, quanto mais se limita materialmente no texto, sem descurar princípios e meios de fazer arte dramática, lírica, ou cómica em prosa natural e cuidada mas sem exageros conotativos, é o artífice de pinceladas tão minúsculas mas autênticas de gentes, costumes paisagens e sonhos.
(continua)

 

 

publicado por DSousa às 13:40
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Terça-feira, 5 de Setembro de 2006

Coelho de Sousa: Angra, cidade querida

Nota Prévia:

No manuscrito de CS que tenho vindo a utilizar, estas duas quadras sobre Angra, encontram-se numa página própria, entre "A Volta à Ilha" e "Angra, por ti".
O mais provável é que CS as tenha juntado à Volta à ilha. Mas é impossível ter a certeza.
Por isto,as mantenho aqui separadas, tal como se encontram no original.

 

Minha cidade querida
Uma cantiga ao luar.
Uma  saudade é a vida,
E o nosso pranto é o mar...

 

Angra dos sonhos de outrora
Minha estrofe de poema
Que venho entoar agora
à nobreza do teu lema...

publicado por DSousa às 11:26
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Sexta-feira, 1 de Setembro de 2006

Coelho de Sousa: Angra, por ti (VI e último)

Angra, Angra querida.
Adeus.
A vida é para ti, a vida!

Este programa
 morreu em meus lábios
a derradeira vez aqui.

E é como a chama
que ergo em meu amor,
Por ti, Angra, Por ti !

Angra e Terceira,
Açores! Adeus!
A vida é para ti...
A vida é vós
Além daqui...
Nos céus!


A vida é para ti... Última vez...
A vida é para ti... Adeus!

publicado por DSousa às 09:15
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