Terça-feira, 31 de Outubro de 2006

Coelho de Sousa: Variações sobre o Mar-Espelho (V)

Este domingo é o dia do mar.

Na Palestina não foi bem do Mar Oceano...
apenas do Lago de Genesaré...
e nele uma barca para o sermão,
 e mais outra e as redes, para as duas,
cheias de milagre,
transbordadrem de peixe pescado em dia...
porque de noite, em vão, saiu pescaria atroz!

Que importa o espanto de Pedro, se ele é homem de ter na boca a voz que tem no coração:
Afasta-te senhor de mim. Que sou um pecador!
Afastar de ti? Nunca tão unidos!
És pescador de peixes...
Estás na barca...
e sê-lo-ás para sempre...
pescador de homens...
Para pescar peixes lançaste a rede...
E foste dextro e colheste...
Para pescar homens lançarás a palavra...
e farta há-de ser a pesca.  
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Domingo, 29 de Outubro de 2006

Coelho de Sousa: Variações sobre o Mar-Espelho (IV)

E vou abrir os braços à janela...
Ai! a cor azul !  
É ela...
Titubeante e frágil,
esmaecida em gris,
a cor azul no mar...
que ontem era cristalino e puro
transparente e subtil.
O mar! Oh! mar ! O mar!
E sem querer eu ouço-me cantar:
Quebram-se as ondas verdes,
uma a uma,
contra o rochedo forte que as possui
Entre lençois de espuma...
A praia, abandonada, empalidece
E tudo à sua volta se dilui
Num fundo azul de prece...
 
O mar canta saudades sobre a areia
E sem mesmo saber como explicar
Encontro-me a falar de certa ideia
Sózinho, como um louco, à beira-mar.

Tanto espaço vazio! É tempo de construir;
Quero esculpir no bronze e modelar na lama
Viver não é passar e é mais do que existir
É ser uma centelha a refulgir na chama!
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Sexta-feira, 27 de Outubro de 2006

Coelho de Sousa: Variações sobre o Mar-Espelho (III)

Hoje! Nada tão variável nestes Açores como o tempo!
Na hora em que pesponto na sebenta este dizer, o céu está pesado...
As núvens são de cinza...
E a gente sente em nós coberta a alma em pesadelos fundos...
O ar é saturado de não sei que aroma, estrangulando em ais.
Isto é verão, o sol virá, mas enquanto se demora, dá-nos vontade de gritar alto, muito alto...

Ar! Ar!

Abram-se as janelas das nuvens e deixem-no passar.
Não pode ser cinzento o dia que é de sol,
este domingo em Julho...
Parece estar fechada a terra em círculo de orgulho,
que é vesgo e pesa mais que a cruz...
Um dia assim tem cheiros de cadáver...

E é nossa, muito nossa, a vida...

É muito nossa a luz...
Deixem-na passar!...
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Quarta-feira, 25 de Outubro de 2006

Coelho de Sousa: Variações sobre o Mar-Espelho (II)

Nada tão variável nestes Açores como o tempo.
Lembras-te, estimado ouvinte, ontem um dia saboroso, encantador, cheio de sol sem ferir, nem vento de rasgar,diáfano, rutilante e concretizador.

Podiam contar-se, um por um, os franjais das nuvens na
lentidão do dia...

Os verdes, do vale à serra, tinham postas as mãos numa esperança ubérrima...

E a promessa dos trigais maduros tinha posta a mesa, grão em grão das tulhas cheias...

Ei! vaca p'ra diante!

O dia foi todo cor de leite...

Tingido com azul de céu sobre a cabeça, e rumos de azulina igual além do mar...

Oh! Padre Nosso!
O pão de cada dia nos dai hoje!
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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006

Coelho de Sousa: Variações sobre o Mar-Espelho (I)

 

 

 

 

 

 

Os dois extractos que antecedem este texto, são, respectivamente, o título e o final de uma palestra de Coelho de Sousa, proferida, em 30 de Junho de 1957, aos microfones do Rádio Clube de Angra.
O  seu tema foi ainda o mar, como nas recentes entradas que temos vindo a publicar no "Álamo Esguio".
Desta vez, com a designação genérica de Mar-Espelho.
Espelho de quê?
Da história dos Açores?
Do céu?
Do espírito, em geral?
De Deus, em especial?
Da união do Céu e da Terra?
De tudo isto, e de algo mais.
Eis um exemplo:
Tanto espaço vazio! É tempo de construir;
Quero esculpir no bronze e modelar na lama
Viver não é passar e é mais do que existir
É ser uma centelha a refulgir na chama!

Há muitos mais para ir descobrindo ao longo das próximas entradas.
 
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Sábado, 21 de Outubro de 2006

Coelho de Sousa: O Mar e a Dor (IX e último)

O mar e a dor ( IX e último)

 

Tens um segredo qualquer
Que me queres revelar
Qual seja, podes dizer
Que o guardarei, lindo mar...
 
Qual seja não adivinho...
Tu bem vês que nada sei...
Vamos, mar, di-lo baixinho
Que em silêncio escutarei.
 
Sabes: não há mar igual
A este mar dos Açores.
Sou no mundo e em Portugal
Mar da Senhora das Dores. 
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Quinta-feira, 19 de Outubro de 2006

Coelho de Sousa: O Mar e a Dor (VIII)

 

O mar e a dor (VIII)

 

Oh! mar alto, mar tão largo
Em cada gota que tens
Anda o sal do pranto amargo
Que chorou a mãe das mães!

 

(Assim não há mar igual
Ao grande mar dos Açores.
É no mundo e em Portugal
Mar da Senhora das Dores.)

 

Das rochas da minha ilha
Eu me debruço e te beijo.
Uma luz em ti cintilha
Num afago e num desejo.

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