Coelho de Sousa: Do Mar e da Saudade (II)
Atirei pedras ao mar
Sem o mar me fazer mal.
Quanto mais pedras atiro
Mais o mar se fica igual.
Quantas pedras atirei
Todas se foram ao fundo.
Só não lhes posso atirar
Pedras que me atira o mundo...
Neste jogo de pedrada
Cada pedra cai na água.
Umas caem sobre o mar
Outras nas ondas da mágoa.
Mas o mar é sempre o mesmo
Por mais pedras que a onda leve.
Porém, eu, de tanta pedra
Sinto já a vida breve.
