Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Coelho de Sousa: Quatro Poemas do Rosário (VI)

 Quatro Poemas do Rosário


 

A Meio do Mar (III)




Por elas nosso caminho...
Por elas nossa alegria..
Nenhum de nós é sozinho
Quando no barco um rosário
É presença de Maria...

 

 

 

De joelhos também se pode governar
Um barco no alto mar...
Rezemos... Padre Nosso... Avé Maria,
que hão-de vir bonança e dia.



Porto e brasa
em nossa casa!

 

 

 

 

 

E o menino que sorria;
Ao outro dia
Em suave sono imerso
Entrava no porto sem ser acordado...
Nas mãos lindo terço
os dedos e os sonhos lhe tinham enlaçado.

 

 


 

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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

Coelho de Sousa: Quatro Poemas do Rosário (V)

 

 

Quatro poemas do Rosário

 

Ao meio do mar (II)

 

 

 

E no entanto sorria
Uma criança contente...
-Mas porquê essa alegria,
Quando vês sofrer a gente?

 

 

 

Oh! homens que não tendes fé,
porque chorais sem esperança...
Governais barcos de pé
Quando o mar é em bonança:

 

 

 

Mas agora que o escarceu
traz de luto a vossa alma,
Em vez de olhares ao céu
a pedir-lhe doce calma,

 

 

 

 

Julgais as vidas perdidas?
Não descobris nas estrelas
A graça divina, salva vidas?
Aqui o tendes. São elas,

 

Que dos céus às minhas mãos
Fazem cordame e cadeias...
Luz das alturas, contas da Virgem,
                                    oh! irmãos,
Brilham mais que luas cheias...

 

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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Coelho de Sousa: Quatro Poemas do Rosário (IV)

 

Quatro Poemas do Rosário


Ao  meio do mar (I)

 

 

 

 

Andava o mar tão revolto,
Em ventania dispersa...
Um derradeiro pano ia solto.
Barco sem norte...
Em cada rosto a tristeza
Traçava os riscos da morte...

 

 

 

 

Onda a onda, um novo abismo...
Nem estrelas.
Noite fria.

Um girar de paroxismo
desprendeu todas as velas.
Vem tão longe o porto e o dia!

 

 

 

 

Sal dos olhos inundou
gota a gota os pescadores...
Mar de prantos aumentou
Vendaval, penas e dores... 

 

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Sábado, 10 de Fevereiro de 2007

Coelho de Sousa: Quatro Poemas do Rosário (III)

 

 

Quatro Poemas do Rosário

 

O adeus

 

 

 

 

Em Outubro, diz-se adeus...
Pois até Nossa Senhora
Disse adeus, voou aos céus.


No mês de Outubro e na serra...
Se era tormenta a saudade
Que tormenta não encerra
Este adeus da piedade?

 

 

 

 

 

Senhora de Portrugal!
No teu regaço materno
Seja um adeus outonal
Aquecendo nosso inverno!

 

 

 

 

 

Não há frutos nos pomares
que os homens trazem cuidados...
Mas se tu não nos deixares
Abrem-se em graça os pecados...

 

 

 

Nossa Senhora do adeus!
Mês de Outubro, o teu rosário
Aberta a escada dos céus,
Já tem norte o meu fadário...

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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

Coelho de Sousa: Quatro Poemas do Rosário (II)

 

Quatro Poemas do Rosário

 

O adeus

 

 

 

 

 

Em Outubro diz-se adeus
No verde monte e no mar...
Todos voltam para os seus,
Braseira quente do lar...

 

 

 

 

 

Há-de vir sol ainda
Furtivo sobre os caminhos
E a lua branca tão linda
A pratear os espinhos.

 

 

 

Mas o verão, sol aberto
já se foi... já passou...
Quem tiver sonho desperto,
volte a sonhar, se sonhou.

 

 

 

 

 

Mas depressa...  e de corrida...
Não deixe para amanhã
O que agora pede a vida.
Nunca é cedo p'ra quem tem
certo o fim, incerta a ida.

 

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

Coelho de Sousa:Quatro Poemas do Rosário (I)

 

Quatro Poemas do Rosário

 

O Adeus

 

 

 

Em Outubro diz-se adeus
Ao sol branco do verão.
Há tintas negras nos céus...
Folhas rolando no chão...

 

 

 

 

As derradeiras maçãs...
E despidos os vinhedos...
Acordam frias manhãs
Com invernos em segredos...

 

 

 

 

 

Ficaram cheias as tulhas
Para o pão de todo o ano...
Trilho do tempo...debulhas
Minha tristeza e engano.

 

 

 

 

 

E as roseiras não têm rosas
Que o vento as levou a todas
Bouquet de noivas formosas
Qual será  nas vossas bodas?

 

 

 

 

 

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Domingo, 4 de Fevereiro de 2007

Novo Caderno de Manuscritos

É com os textos  deste caderno, cuja capa acima se reproduz, que se vai prosseguir a publicação de manuscritos de Coelho de Sousa.

 

Como se pode confirmar, são textos de 1955,  utilizados no programa do Rádio Clube de Angra  "A vida é para ti" e  que o próprio Coelho de Sousa interpretava, mais do que lia, semanalmente, aos microfones daquela rádio.

Os temas são de carácter  religioso, mas transformados literariamente pela veia poética e dramática do autor,  normalmente acompanhando o ano do calendário litúrgico da Igreja Católica.

São todos em verso de medida vária.

Deixamos aqui o título de cada um deles, apesar de muitas vezes não permitir vislumbrar o seu conteúdo, apenas para uma indicação mais segura, para mim próprio e, sobretudo, para  os leitores perceberem o andamento da sua publicação.

Não vamos seguir a ordem cronológica em que eles se encontram no manuscrito, porque nos tem parecido preferível sempre, publicá-los na sequência da sua ligação lógica ou temática com os últimos textos publicados.

É esta razão que nos leva a optar por  inciar a publicação de textos deste caderno com dois poemas com referências aos meses de Outubro e Novembro, permitindo, assim, ao leitor, a sua comparação com o último texto publicado sobre o mês de Maio.

Eis os títulos de todos os poemas deste caderno, com data de capa de 23 de Junho de 1955.

E não podia calar-se           23-VI- 954 (provavel lapso do autor; o ano deve ser 955) 

De porta em porta               2-IX-955

Dá-me  de beber                 26-IX-955

O peregrino                          sem data

Quatro poemas do rosário   sem data

Dois poemas em adeus       sem data

Oito palavras de guerra        sem data

Fala do mundo                      sem data

Também as setas são glória  sem data

Aquele adeus era de irmãos    sem data

Esse mistério dos olhos           sem data

As nossas mãos e as d'Ele       sem data

 

Os dois primeiros poemas-programas a serem publicados têm os títulos de

Quatro poemas do rosário

Dois poemas em adeus.

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