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ÁLAMO ESGUIO

Tributo à memória e à obra religiosa, artística e cultural do P.e Manuel Coelho de Sousa (1924-1995), figura cimeira da Igreja e cultura açoriana do século XX, como padre, jornalista, poeta, professor, orador, escritor,dramaturgo e animador cultural

ÁLAMO ESGUIO

Tributo à memória e à obra religiosa, artística e cultural do P.e Manuel Coelho de Sousa (1924-1995), figura cimeira da Igreja e cultura açoriana do século XX, como padre, jornalista, poeta, professor, orador, escritor,dramaturgo e animador cultural

Coelho de Sousa: Do Mar e da Saudade (IV)

DSousa, 02.02.08




DO MAR E DA SAUDADE (IV)






Mas o mar me respondeu
Certo dia em maré cheia;
Cada pedra que me atiras
Não é mais que grão de areia.


E por mais areia junta
Nunca a praia terá jeito
Que se igual ao areal
Que trazes dentro do peito.


A tua alma é um mar
Muito maior do que eu.
Quanto mais pedras me atiras
Mais pedras ficam no teu.


Escuta pois meu amigo:
Não vale a pena atirar...
Se este jogo não acaba
Porque te estás a cansar!


Coelho de Sousa: Variações sobre o Mar-Espelho (IV)

DSousa, 29.10.06
E vou abrir os braços à janela...
Ai! a cor azul !  
É ela...
Titubeante e frágil,
esmaecida em gris,
a cor azul no mar...
que ontem era cristalino e puro
transparente e subtil.
O mar! Oh! mar ! O mar!
E sem querer eu ouço-me cantar:
Quebram-se as ondas verdes,
uma a uma,
contra o rochedo forte que as possui
Entre lençois de espuma...
A praia, abandonada, empalidece
E tudo à sua volta se dilui
Num fundo azul de prece...
 
O mar canta saudades sobre a areia
E sem mesmo saber como explicar
Encontro-me a falar de certa ideia
Sózinho, como um louco, à beira-mar.

Tanto espaço vazio! É tempo de construir;
Quero esculpir no bronze e modelar na lama
Viver não é passar e é mais do que existir
É ser uma centelha a refulgir na chama!