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ÁLAMO ESGUIO

Tributo à memória e à obra religiosa, artística e cultural do P.e Manuel Coelho de Sousa (1924-1995), figura cimeira da Igreja e cultura açoriana do século XX, como padre, jornalista, poeta, professor, orador, escritor,dramaturgo e animador cultural

ÁLAMO ESGUIO

Tributo à memória e à obra religiosa, artística e cultural do P.e Manuel Coelho de Sousa (1924-1995), figura cimeira da Igreja e cultura açoriana do século XX, como padre, jornalista, poeta, professor, orador, escritor,dramaturgo e animador cultural

Coelho de Sousa: É uma nuvem

DSousa, 23.02.08



É uma nuvem...





É uma nuvem trágica, infernal,
Que vem e que se apossa do meu ser.
O corpo fica lasso com o mal
E a alma  negra e fria a apodrecer.

Não há nem mais a mente para entender
Que a terra é tanta, a fúria é tal
Que o Verbo já não é. E para ver
Os olhos são de múmia espectral.


Envolta nos panais da ingratidão,
Mirrada dia a dia ao gosto vão
Do ser-não-ser como em delírio.

Oh Deus, como o arminho que da lama foge
Queria eu fugir da nuvem negra de hoje...
Ma seu sou eu. E a nuvem é o meu martírio.









Coelho de Sousa: É esta nuvem de mim...(I)

DSousa, 25.11.07



Estimado ouvinte,
volta hoje ao RCA a rubrica

a vida é para ti.

E, desta vez, ambientada pelo
mistério das almas
deste Novembro
ensombrado das bombas
da maldade humana.

Toda ela é uma atitude
de quem vive
numa expectativa misteriosa.

Assim, fica-se a minha alma
num silêncio envolta...
E o estro à pena logo a rima solta,
assim feita encantamento:

l


Domina-me um silêncio extasiante,
Nimbada a fronte fica do sublime.
É raio que a ilumina um só instante?
É prenda à cruz divina que a redime?

É cravo em mão aberta ou peito arfante
ao coração que em lança amor encime?
Ou é demónio atrás de fauce hiante
que ao dente do pecado a vida oprime?

Rompam silêncio, venham dizer quem
me fez extasiado este momento?
Foi Deus? Foi demónio? Ou foi ninguém?

Respondam, que o sublime é já tormento.
Foi Deus? Foi demónio? Que me falem!
Silêncio. Silêncio!  Encantamento!